Outras faces de mim...

  • Nunca te amei. Que fique bem claro. Desde o começo não foi amor o que me virou pelo avesso: foi desejo. E quando a mente me trai e traz à tona lembranças, o...

Wednesday, May 15, 2013

Cinzas

"E, ao fechar seus olhos, ela via seus olhos...
Não como eles eram, mas como ela se lembrava deles."

Eram cinzas. 
Cinzas como a tempestade que se formava então em sua vida. 
Como as cinzas que sobraram do que ela fora antes de encontrá-lo. 
Como o fim que ela quase encontrou. 

Eles foram o ápice. 
A síntese da loucura a que se entregou
por um espaço de tempo tão breve
que ela nem chegou a entender.
Mas que mudou pra sempre o que seria. 

Tudo por culpa daqueles olhos. 
Que trouxeram em seguida a boca,
as pernas entrelaçadas,
o desejo. 
O desfecho. 
E que depois se tornaram tão frios -
quanto aquele dia cinza
em que eles se tornaram cinzas. 

E ficaram gravados a ferro e fogo em sua memória. 
Como o fogo que que subiu por suas pernas
naquela noite inglória. 

E que deixou apenas as cinzas pra contar história. 

Sunday, May 13, 2012

Calmaria

E foi assim que um dia, sem saber bem como,
ela se viu perdida num vazio de sentimentos...
Logo ela, que sempre fora tão intensa.
Perdera há muito a noção de paixão, de taquicardia,
do coração saindo pela boca.
E, depois disso, deixou de sentir tudo,
todo o resto.
Deixou de sentir vontade.
Ou melhor, passou a não se satisfazer com nada,
como se nada fosse o bastante
pra preencher aquela vaga imensa...
Sufocara tanto seus sentimentos genuínos,
calara tantas vezes seus desejos mais profundos,
que perdeu a voz,
calou-se,
perdeu a capacidade de expressar o que lhe ia n'alma.
Se é que sobrara-lhe algo.
Se é que sobrara-lhe alma.
Nunca mais sentiu o mesmo desejo incendiando seu corpo.
Nunca mais sentiu aquela emoção inundar sua alma.
Tentava, desesperadamente, sobreviver,
não aos vendavais,
mas ao excesso insuportável de calma.

Thursday, November 10, 2011

The Aftermath*

Há muito tempo ela não se sentia tão viva. 
Existia ali algo inesperado, desconhecido. 
Não, talvez não desconhecido. Esquecido. 
Ela havia esquecido o que era o desejo,
o que era sentir as pernas queimando. 
Aquele fogo subindo corpo acima,
tirando-lhe a capacidade de raciocinar,
de ser coerente. 
Balbuciava coisas sem sentido. 
Era assustador o que ele estava fazendo 
com sua mente, 
mas desesperadoramente delicioso o que fazia 
com o seu corpo.
Perdeu os sentidos. 
E quando acordou, ele não estava mais ali. 
Juntou os trapos, os cacos, 
o desejo que lhe vertia pelos poros. 
Nunca mais se sentiu tão viva. 
E nunca mais conseguiu falar de si mesma
na primeira pessoa. 
Perdera-se. 






*The Aftermath. Aquilo que sobra depois da calamidade. As consequências que ficam ao fim da guerra. Aqui, o pós delírio. O que sobrou ao fim da devastação emocional. Aftermath. 

Thursday, April 7, 2011

Naufrágio

Já faz tanto tempo...
Mas ainda arde.
Será que vai voltar o medo
nesse fim de tarde?
Pois ao tentar o desapego
e me livrar desse aconchego
perdi bem mais que o meu sossego:
perdi minha identidade.
Fiquei nua.
De todas as formas que se pode imaginar
eu fiquei nua.
Diante do seu olhar
eu fiquei nua.
E ao você partir
eu fiquei nua - De mim.
Não pela sua ausência,
mas pela minha própria indecência
de ser sua.
E o fim
não era o final da linha.
Era o começo do que sobraria.
Escombros.
Escombros e uma vaga lembrança do que eu seria
se eu tivesse ouvido a voz que me dizia
pra não entrar no barco
sem saber nadar.
Sou um naufrágio em mim mesma,
estou à deriva.
Aprendendo a respirar
debaixo d'água.
Aprendendo a sobreviver
à minha própria mágoa.

Tuesday, November 2, 2010

Ausência.

Esgotada.

Não por excesso, mas pela falta.
Essa falta que enche meus dias
Que sufoca meus pulmões
Como se sua ausência
Fosse algo palpável
Físico
Presente.

Mas você está ausente.

E é nisso que reside toda a minha ira
Minha confusão
Minha impaciência
Minha sina.
Essa dor permanente
Estado de latência
Que não termina.

E agora?

Como vou fazer
Se nem mesmo sei
Se você foi embora?
Já que nesse impasse
Vivo em descompasso
Entre o sim e o não
E o seu abraço.

Saturday, September 25, 2010

Soneto de um sonho intenso

E quando eu fecho os olhos e me entrego
Aos sonhos que me povoam a mente insone
Adormecida mesmo, meu corpo está desperto
E minha pele quente grita então seu nome

Sinto um torpor me consumindo aos poucos
Como se seu toque anestesia fosse
Me deixando inerte, entregue ao seu corpo
E sinto sua boca, seu hálito doce

A me beijar de leve o corpo descoberto
A percorrer minha nuca, causando arrepio
Esse seu corpo quente a me puxar mais perto...

Noite adentro sonho ainda mais febril
Mas ainda durmo, e não sei se desperto
Não suportaria lidar com o vazio.

Saturday, September 18, 2010

Não

Não
Nunca mais vou abrir os braços
Pra acolher abraços
Que nunca se dão

Não.

Afaste-se, enfim
Pois esse seu beijo
Nunca foi de mim.

Sunday, August 1, 2010

Tanto

Tanta coisa eu fiz
Por te querer demais...
Comecei a guerra,
Perdi minha paz.
Tanta entrega, tanta espera
Tanto medo de não ter
Outra chance, outra guerra
Outro tanto de você.
Tantas virtudes perdidas
Tanta energia aplicada
Tantas noites mal dormidas
Tanta paixão desperdiçada...
Tanta vontade sufoca
Cada vez que te vejo
Que esqueço do tempo em tua boca,
Perdida de tanto desejo.



Inspiração:
"É tanto, é tanto... Se ao menos você soubesse...
Te quero tanto..."
Skank

Sunday, July 18, 2010

Só desejo.

Nunca te amei.
Que fique bem claro.
Desde o começo
não foi amor o que me virou pelo avesso:
foi desejo.

E quando a mente me trai
e traz à tona lembranças,
o que povoa os meus pensamentos
não é poesia:
é teu beijo.

Um beijo apressado, apaixonado,
elétrico, intenso.
Mas não, nem um pouco de amor.
Só desejo.

Saturday, June 5, 2010

Vício

Sim, faz algum tempo.
Nenhuma recaída.
Mas não, não posso ainda dizer
que me curei.
O mal que você me causou
não tem cura,
droga pura,
que demora muito
para desintoxicar...
desintoxicação de você,
do seu cheiro, do seu toque.
Estou até bem sem dar um trago do seu perfume.
Mas não se iluda:
Só eu sei
a que duras penas
vou tirando você
do meu sistema...

Saturday, May 1, 2010

Para esquecê-lo. (Perfume)

Sim, havia acabado.
Nunca mais cederia àquele desejo irracional
que sentia cada vez que sentia seu perfume
e o aroma fresco de seu hálito.
Não mais pensaria naquelas noites.
Sua mente não mais ficaria turva
com imagens borradas, cheias de pernas entrelaçadas,
repleta de sons e cheiros.
O cheiro dele.
Misturado ao dela.
E enquanto a água batia em seus ombros
debaixo do chuveiro,
decidiu que nunca mais pensaria
em como se deliciava
com a mistura do cheiro do shampoo
com a loção pós barba que ele usava.
Mas que fazer?
Seu próprio perfume a perturbava,
pois trazia à sua mente
como o cheiro dela e o dele
se misturavam
perfeitamente...
Não tinha outra solução.
Teria que evitar o perfume dele.
Trocar o próprio perfume.
A própria essência.
Trocar os cheiros do mundo todo.
Só pra esquecê-lo.

Sunday, April 4, 2010

Nova

Nova. Nova história com velhos personagens.
Outra hora. Outra vez me confundo com suas engrenagens.
Chega.

Chega de buscar nos seus olhos
Um motivo pra perder o rumo.
Chega de me perder em você.

Como se não bastasse o que você teve de mim.
Como se eu não tivesse cedido o bastante.
Dado mais do que eu tinha. É o fim.

É o fim de uma busca que eu nunca quis.
De um romance que não tinha objetivo.
De uma história sem final feliz.

E agora é hora da virada.
Nova. Assim eu sou.
Mais nada.

Saturday, March 13, 2010

Desabafo

Acabou.
Fim? Ou recomeço?
Foi uma sensação de alívio.
Uma sensação que você nunca soube que eu senti.

Ficou tudo guardado em mim, no deserto da minha alma,
no lugar mais profundo - que você não quis explorar.
E, ainda assim, me senti devastada...

Destruída.
Mas você nem sequer se preocupou comigo.
Simplesmente saiu da minha vida.
Não deixou nada, nem meu próprio eu.
No meio do caminho, o que eu era se perdeu.

Mas não te fez nada...
Você não sentiu, não foi bom pra mim.
Sumiu.
O que houve com você?
Chorei...

Chorei todo o carinho que você levou.
Chorei o vazio de me perder em você.
Sumi...

Me desrespeitei pra poder te reconquistar.
Me feri. Chorei...

Estou sozinha.
Não tenho nem a minha própria companhia,
pois ela sempre esteve com você.

Saturday, March 6, 2010

Meus ciclos

Sou de lua
tenho fases
mas não, não sou instável
ao contrário do que possa parecer.
Pode soar estranho
mas embora eu mude tanto
volto sempre ao meu centro
ao meu norte.
Mudo milhões de vezes
mas trocar de realidade
nunca foi meu forte.
Sou cíclica
rítmica
e voltar a você
é o meu esporte.

Saturday, February 27, 2010

Sonho

Era capaz de sentir seu hálito fresco e doce

Respirando em minha nuca

Beijando meus cabelos

Minha boca

E sentir seu corpo inteiro me abraçando

Me apertando com jeito

Com vontade

Aconchego

E senti meu corpo inteiro arrepiar-se

Minha pele reagindo

Sem ter medo

Se despindo

Era como se nada mais importasse

Só teu riso em meus ouvidos

Só teus braços

Me sentindo

Eu sorria como há tempos não sorrio

Ao sentir-te assim tão perto

Tão inteiro

Tão certo

E aquele arrepio que subia pela espinha

Me fazia sentir mais, bem mais

Me sentir mais plena

Em paz

E acordei com uma sensação estranha

Um bem estar tamanho

Muito embora tua presença

Tenha sido só

Um sonho

Sunday, February 7, 2010

Odeio

Odeio.
Odeio esse teu olhar travesso
como se me despisse
sem ninguém notar.
Odeio esse azul cinza dos teus olhos,
essa incógnita presente e inconstante,
de uma cor tão fria e tão brilhante
mas que esquenta minha espinha e faz queimar.
Odeio essa fraqueza em meus joelhos,
essa tontura que me toma ao te tocar.
Odeio olhar pra mim no teu espelho,
e ver tanto desejo em teu olhar.
Odeio, mais que tudo, o teu poder,
tua força, que domina o meu pensar.
Odeio teu silêncio e tua fala,
teus mistérios, tua clareza,
tanta loucura, tanta incerteza.
E odeio, mais ainda, te desejar.
Odeio estar em tuas mãos e me perder.
Sim, odeio.
Você.

Saturday, January 30, 2010

Feriado

Cansei.
Cansei de deixar isso tudo
me afetar tanto.
Essa mágoa seca
que nem gera pranto...
Guerra fria
inócua
sombria.
E ponto final.
A partir de hoje não há mais espaço
pra nenhuma idéia, pra nenhum mormaço
nenhum meio termo que te ligue a mim.
Decretado o dia do meu feriado
minha independência desse teu reinado
novo sol de vida iluminando o fim.

O fim de você em mim.

Passado.

O que poderia ter sido...
Poderia ter sido?
Como saber...?
Acho que nada que é
Tem outra opção.
Nada seria de outra forma,
Nada é senão.
Desapegar do passado é preciso
Mas ainda mais necessário
É desapegar do passado impreciso
Aquele que nunca houve,
Imaginário.
O passado é "ser"
Naturalmente imutável
Mas o hoje é "estar"
Dinâmico
Transformável
E está aqui.
Ao alcance das mãos.

Thursday, January 14, 2010

Ano Novo

Recomeçar.
Zerar as baterias
Reerguer energias
Reconstruir forças.
Despir-se de velhos fantasmas,
Expulsá-los do sóton,
Ou chamá-los de vez
Pra comer à sua mesa
Pra se livrar do medo,
Da incerteza.
Fazer tudo novo
Mesmo que seja tudo o mesmo
Feito de novo
De um novo jeito.
Pois nada é, de fato, igual.
Buscar só a harmonia
Pois isso é que fará
Toda a diferença
Ao final do dia.
Ano novo
Novo dia
Nova chance.
Quem diria?

Friday, January 8, 2010

Se não era amor...

Ela sabia que o que sentia
amor não era
Talvez - só talvez - fosse paixão
pré-estação da primavera
Mas por que então lhe doía
ver as folhas caídas
outono sem cores
ao fim da estação?
Talvez fosse chama
pra aquecer o inverno
Mas - que inferno! - por que então
tudo a inundava
feito chuva de verão
inundava de desejo
de torpor
e a afogava no breu
se não era amor?

Tuesday, January 5, 2010

Frisson

Frisson.
Um calor crescendo das entranhas
Subindo pela espinha
Derretendo os neurônios
Um a um.
É assim que tudo acontece.
É assim que a gente se perde
E depois, tal qual os neurônios,
O corpo todo derrete
Vira água
Vira nada
Pois nada mais se controla
E o que sobra, ao final,
É uma lembrança vaga
Uma imagem embaralhada
Sons confusos na memória.
Frisson.

Saturday, January 2, 2010

Te amo

Te amo
Com uma intensidade infinita e inexplicável
Que não se abala diante do tempo
Ou das mudanças que se formam
Sobre nossas vidas.

Te amo
Com toda a força e a pureza que existem
Com toda a minha natureza
Com tudo que sou e me tornei.

Te amo
Porque já não encontro outra razão
Pra ser feliz.
Eu te respiro!
Te sinto dentro de mim
Quando tudo é só pensamento.

E te sinto mais forte, mais simples,
Quando deito em seu peito
E o céu se abre sobre nós
Pra mostrar que, além de real,
É um amor do Universo.

E estava escrito nas estrelas.

Friday, January 1, 2010

Tolices

Sozinha - mais uma vez.
Uma sensação estúpida, idiota...
Tola como eu.
Tola por esperar você
Por te desejar
Te querer.
Tola por fazer planos
e ver que em seus plano
seu nunca sou mais.
Ficar sempre pra depois,
pra mais tarde,
pra outro dia,
outra oportunidade...
E, ainda assim, continuar,
seguir tentando
sonhando
querendo
chorando
sentindo
vivendo
E te ver recuar outra vez.
Até quando eu vou ficar sonhando
com o amor que a gente não fez?

Tuesday, December 8, 2009

Se for pra você voltar - parte II

Quando o mundo estiver cinza
e você não suportar,
precisar de uma amiga,
não hesite, pode vir.
Só não venha pra brincar,
pra querer me seduzir,
pra depois me abandonar
como se eu não fosse sentir.
Não me use, não me esquente,
não me julgue, não me tente.
Não se pense o melhor,
nem se exponha ao meu olhar.
Se vier pra ter apoio,
pode vir, não vou negar;
Mas se quer um beijo à toa,
me esqueça, não sou dessas:
me perdi e te perdi
por ceder às tuas pressas.
Se você quiser voltar,
pare e pense com carinho:
Não me iluda com as rosas
pra fincar os seus espinhos.
Se ainda assim você quiser,
se sentir que vai ficar,
tome o tempo que quiser,
eu não vou te apressar.
Mas se nada te prender,
e você fugir de novo,
eu não vou poder mentir,
nem beber de um vinho turvo,
mas vou ver que nada muda,
nem se alteram sentimentos.
Se você nunca me amou,
não se perca em meus momentos.
Não desperdice minha vida,
meu carinho é seu presente;
Se você não valoriza,
não me chame, não me tente.
Pois seu corpo é como um ímã
que me atrai, me puxa forte,
um vulcão que jorra em cima,
um jogo de vida e morte,
Fogo e brasa, amor, loucura,
uma força tão intensa!
Nos atrai e nos repele...
Não tem cura essa doença!
Mas se tudo um dia apaga
e depois ficar o frio,
se eu for só a lembrança vaga,
foi inútil - é só o vazio.

Sunday, November 29, 2009

Sem saída

Erótico
Mexe com todos os meus sentidos
Me põe cega
Quando suspira no meu ouvido
Visão turva
Um arrepio me descendo a espinha
Uma curva
E a sua língua percorre a minha
Eu me perco
Já não controlo mais coisa alguma
Um momento
É o que te basta pra me pôr nua
Sem saída
Entrego o corpo todo ao teu beijo
E já perdida
Me rendo à força do teu desejo

Sunday, November 15, 2009

Se for pra você voltar...

Por que você faz assim?
Por que quer mexer comigo,
se depois de tudo, no fim,
não quis mais ser nem amigo?

Por que você me provoca,
sabendo da minha paixão,
sabendo que eu fiquei louca,
sem rumo e sem direção?

Por que você não me esquece,
não me deixa em paz e se esconde?
Será que você ficou louco,
indo não sabe por onde?

Será que depois do deslumbre
sobrou pra você a saudade?
A sensação que, no fundo,
eu era a felicidade?

Não sei, mas não me confunda.
Só venha se for de verdade.

Saturday, November 14, 2009

Desafio

Meu maior desafio
foi beijar essa boca
que já me atraía demais
foi um sonho que eu vi
se tornar tão real...
mas não sei, tanto faz
já que você não quer mais...

Meu maior desafio
é pular nessa cama
que pareceu tão minha,
e depois, "desencana"...
foi só o que eu pude encontrar
Desafio teu peito
a encontrar um jeito
de sair pelo meu peito
sem se arranhar...

Se teu corpo parece
cansado do resto
em meu corpo ele vai descansar
Mas você não aparece
e meu corpo padece
e o desejo não quer se apagar...

Se o teu corpo e o meu corpo
não encontram um jeito
pra ficar por mais tempo,
e o prazer
não encontra espaço
em nenhum outro abraço
me diz:
como vou te esquecer?

Friday, November 13, 2009

Em brasa

Não preciso sequer fechar os olhos
pra sentir seus lábios me queimando a pele
Sonho acordada, e em meio aos sonhos
percebo o seu toque que o meu não repele

Sei que ainda me deseja com a mesma força
pois não há desejo que desapareça
quando prevalece uma vontade louca
que domina o corpo, e faz perder a cabeça

Sei que te desejo de uma forma pura
de quem não reage por não ter defesa
Um desejo torpe, esse mal sem cura
Perigo constante de uma brasa acesa...

Wednesday, November 11, 2009

Domingo

Nada voltou ao normal,
Nada ficou no lugar,
Ainda estou tentando juntar os meus pedaços.
Cadê? Cadê o que me preenchia?
Foi mais um domingo vazio.
Estou no escuro, estou sozinha.
Estou vazia.
E, por mais que ocupe meu tempo,
Ainda sobra paixão.
Uma paixão reprimida, sufocada,
Um amor sem par e sem direção.
Sinto falta do calor
De um corpo junto ao meu
Sem pudor, sem solidão.
Tenho medo, tenho frio,
Pois de uma semana triste,
Ficou o domingo vazio.

Friday, October 30, 2009

Fogo

Nunca fomos nada
Além de desejo
Uma forma errada
Um lampejo
Mas por que do nada
Eu já não festejo?
Estou tão magoada
Sem seu beijo

Sei que nada posso esperar
Você nunca quis nada além
De beber de mim, me desfrutar
De querer o que eu queria também

Mas por que agora, que chegou ao fim,
Não se apaga em mim esse fogo aceso,
E me queima o peito, arde até o fim?
Vai queimar até esgotar meu desejo

Que é combustível, alta combustão
Que me turva a mente, que me joga ao chão
Que me lança longe e afasta meu juízo

Desejo insano, verdadeiro, intenso
Que mais me confunde quanto mais eu penso
Que me tira o foco e tudo que eu preciso...

Friday, October 23, 2009

Fagulhas

Fagulhas.
Foi só isso que ficou de tudo.
Da paixão, do apego, do meu mundo.
Foi só sonho, só mentira o que sobrou.
O que mais dói é encarar a realidade.
Descobrir que não tenho amigos de verdade.
Pelo menos, não por perto.
Dói não tê-lo aqui.
Pois você é uma lembrança boa.
Você representa a felicidade que eu já experimentei.
E o ponto de maior desequilíbrio que eu pude alcançar.
Você fez parte dos maiores opostos.
Dos extremos da minha vida.
Do céu da felicidade.
E do inferno da sua partida.

Tua fuga, minha fuga...

Eu não quero mais tua covardia
tua falta de amor
tua tara não sadia
teu silêncio e tua dor
Já não sonho com teu toque
mas teus beijos ainda queimam
os teus lábios terroristas
que em explodir ainda teimam
Tenho medo dos teus olhos
do veneno em teu sorriso
dessa força sobre-humana
do calor que eu preciso
Temo ver-te frente a frente
pois teu corpo é meu abrigo
teu olhar me hipnotiza
tua boca é meu castigo
Esse peso nos meus ombros
é o desejo que consome
que me toma e me domina
junto ao medo que me tolhe
Já não quero te encontrar
pois a brasa aqui acesa
corre o risco de que ainda
se incendeie e eu me perca
Como posso evitar
pensamentos tão intensos
essa falta dos teus braços
que atormenta os pensamentos?
Não te culpo, não me culpo
faltam forças pra nós dois
pois, se tudo acaba um dia,
o que é que vem depois?
Só queria ter um sonho
que pudesse ser real
no domínio do teu ser
ser teu bem, teu ideal
Foi pra sempre a tua queda?
E tua fuga, foi também?
Já não sei, mas, se quiseres,
nosso amor pode ir além
Mas que amor, se não me amas?
Que carinho, se fugiste?
Só o que sinto permanece
Qual o risco que assumiste?
Eu só quero que tu saibas
que a ferida aqui aberta
já não dói, mas arde a falta
do teu colo que liberta
que me cura, me consola,
que alivia qualquer dor
Mas deixaste a porta aberta
Já não queres meu amor...

Monday, October 12, 2009

Indiferente

Às vezes ainda sinto falta
do teu jeito calmo
de beijar minha boca
de me olhar nos olhos
numa calma louca
um desejo pleno
me invadindo aos poucos...
E então me pergunto
até onde é real
até onde isso é pele
o quanto é natural
o quanto é fantasia
sem ser carnaval
se foi amor de um dia
ou vai ser imortal
O certo que eu
já não posso te esquecer
pois muito do que eu era
sumiu com você
Me transformei demais,
mudei a minha vida,
vendi a minha paz,
mas você nem liga.
Você nem liga.

Meu tempo a ti pertence...

O tempo passa mais depressa
desde que te conheci
pois preencho os meus dias
com o pouco que já tive de ti
Cada segundo é repleto do teu ar
do teu olhar
da tua força apelativa
Estou viva
só pra te reencontrar
E os dias passam...
numa sequência inconsequente
numa velocidade alucinante
numa dor dilacerante
num sem rumo, rumo a ti
sem que eu saiba onde estejas
São tuas as horas
teus os dias
e os meses
São só tuas tantas vezes
que eu choro sem razão
Não vejo o tempo passar
se não sinto tua mão
a me tocar...
Vivo da tua lembrança
pois nada mais existe
desde a última vez
que o tive
pois todos os meus planos
incluíram teu nome
e pra ti, fui só um engano
um desejo enorme
que cedo acabou
Parei no tempo
ao teu lado
E onde estás
que não te acho?

Friday, October 9, 2009

Partida

Mas quando você foi embora, e disse que não dava mais
Tentei te alcançar lá fora, mas você fugiu pelo cais
Saiu navegando em meus sonhos, partiu sem deixar ilusões
E eu fiquei me arrastando, tão presa a minhas emoções
Mas nada ficou de verdade, nem mesmo o que havia entre nós
Eu não senti nem saudade, nem mesmo ao ouvir tua voz
Pois tudo o que você era, tudo o que me iludiu
Ficou num tempo de espera, foi pelo espaço, sumiu
E o que restou pro meu mundo foi teu lado diferente
O que não sabe de amor, o que não sabe da gente
O que sobrou de você foi só uma parte insana
Que desagua nos teus olhos pra fingir que não me ama.

Thursday, October 8, 2009

Planos

Se quiseres beber meu sangue
pra sugar o meu amor
não há mais por onde entrares
não vou mais ceder à dor
Eu não quero ser escrava
teu remédio ou veneno
Posso até curar teu karma
mas não teus sonhos pequenos
Não vou ser o teu refúgio
pra esconderijos banais
Não vou matar tua sede
numa loucura fugaz
Não vou viver me escondendo
das profundezas do amor
só pra poder me render
ao teu ciúme e temor
Não quero ser tua metade
pois nunca seremos um só
Estou aqui pra mostrar-te
que sem ti eu sou melhor
Pois sonhos possíveis eu tenho
conheço as limitações
conheço teu mundo pequeno
e tuas inúteis paixões
Por isso esqueças teus planos
teus desejos ou o que for
caso queiras beber meu sangue
pra sugar o meu amor...

Sozinha

Passam as horas como sonhos se arrastando
Atravessando um mar de solidão
Um deserto escuro e sombrio
Onde só ouço as batidas do meu próprio coração
Onde havia dois, numa só cadência
O que veio depois, ao fim da inocência
Foi o desespero, essa angústia louca
Esse pesadelo, o coração na boca
Que já está tão longe dessa boca sua
Essa fonte doce que me punha nua
Todo aquele sonho que ficou no plano
E hoje estou aqui, sem saber ao certo
Porque foi fugir estando já tão perto
De saber, enfim, o quanto eu te amo...

Wednesday, October 7, 2009

Ardendo

Não sei se ainda te quero.
Te desejo, não há dúvidas...
Mas já não te espero.
Já que nessa infinita vontade,
me desmancho em pensamentos,
mas sou eu, não você, quem arde.

Soneto confuso...

Perder-me... Perder-te...
Não sei, já não sei o que sinto
Estou tão confusa
Me faça entender...

O que mais importa,
se não há caminhos,
se não posso mais
escapar de você?

Estou tão estranha,
confusa, assustada...
Com que? Eu não sei.

Só sei que me arranha
a louca vontade...
Mas eu não me dei.

Perdida...

Mas não vá ficar assim,
se escondendo das verdades.
Eu não sei o que há em mim,
eu já não sei se tu ardes.

Tenho medo do que vem,
não entendo minhas vontades.
Não queria me perder...
mas eu sei que já é tarde.

Toque

Um simples toque seu
já me faz derreter
por completo...
Pensei que não seria mais assim
mas você mexe comigo
com a minha libido
com tudo que sou.
Eu sinto meu corpo render-se
trair-se
ao tocar em você
um frio percorrer a espinha
deixando o desejo por mais
a vontade na boca
que não passa
não passa...
Eu me entrego no olhar
o meu corpo se entrega
sem você perceber...
Vou e volto nessa sensação
se você simplesmente
pega minha mão...
e a prende.

Abandono

E se eu rasgar meu peito
me expor num deserto
perder os sentidos
sem você por perto

você vai sentir
gana de voltar,
ou, estando imune,
vai me abandonar?

Tuesday, October 6, 2009

Fim

Não quero mais falar de você
Não quero mais perder a paz
sem te esquecer
Tenho que entender
que não fui eu quem te perdi
Me apaixonei, tentei te ter,
não consegui
E, no final, eu vejo que é melhor assim
já que a verdade
é que você perdeu a mim
pois outro alguém como você é fácil achar
quem queira transas
sem esperança
e sem gostar
Mas quem se entregue
quem seja leve
não é fácil assim:
Vai ser difícil pra você
encontrar alguém igual
a mim.

O que sou...

Sou só, singular,
circular
Sou eu, sou você
somos nós
a procurar um novo espaço
para que eu seja
aberta, plural,
espiral...
em você.