Outras faces de mim...

  • E finalmente o que ela sentia deixou de ser ansiedade, deixou de ser apatia. Virou apenas saudade...

Sunday, May 13, 2012

Calmaria

E foi assim que um dia, sem saber bem como,
ela se viu perdida num vazio de sentimentos...
Logo ela, que sempre fora tão intensa.
Perdera há muito a noção de paixão, de taquicardia,
do coração saindo pela boca.
E, depois disso, deixou de sentir tudo,
todo o resto.
Deixou de sentir vontade.
Ou melhor, passou a não se satisfazer com nada,
como se nada fosse o bastante
pra preencher aquela vaga imensa...
Sufocara tanto seus sentimentos genuínos,
calara tantas vezes seus desejos mais profundos,
que perdeu a voz,
calou-se,
perdeu a capacidade de expressar o que lhe ia n'alma.
Se é que sobrara-lhe algo.
Se é que sobrara-lhe alma.
Nunca mais sentiu o mesmo desejo incendiando seu corpo.
Nunca mais sentiu aquela emoção inundar sua alma.
Tentava, desesperadamente, sobreviver,
não aos vendavais,
mas ao excesso insuportável de calma.

2 comments:

  1. O canto do cisne

    Sentado à beira de um rio
    Encontra-se um poeta.
    Furtivo em pensamentos
    Mudo, sem fala, sem dialética,
    Expurgado de sua realidade.

    Outrora ousado,
    Selvagem e valente;
    Agora patético
    Pusilânime e negligente.

    Em seu flanco esquerdo
    Eis que surge um cisne
    - Negro como a noite -
    Tão misterioso quanto
    O seu canto.

    Subitamente o poeta ressurge,
    Incomodado pela intuição.
    Como criança, agarra-se
    A um pedaço de papel
    Que o tortura com um látego de palavras.

    Lágrimas lhe caem do rosto,
    Rubras como a vergonha
    Vermelhas como o sangue.
    ...E ao longe, quase tocando
    O crepúsculo, ouve-se
    Um belo e derradeiro
    Canto de um cisne.

    (Agamenon Troyan)

    ReplyDelete
  2. Quanta intensidade nesse poema Roberta! Sentimentos arrancados da pele! Me vi em suas palavras... Também ouvi o seu silêncio. Por isso vim aqui! Beijos

    ReplyDelete